• Fabrizio Caldeira

Aumento do IOF deve impactar em rotativo do cartão de crédito mais caro

A taxa básica de juros, a Selic, foi elevada cinco vezes este ano, saindo de 2% ao ano em março para 6,25% no mês passado. Somente o reflexo da taxa básica já impactou em aumento do juro rotativo do cartão de crédito. Em agosto, a taxa foi a 336,1%, o maior patamar para o mês desde 2017, quando foi a 392,3%.

Conforme os analistas do mercado, a tendência é que o juro fique ainda mais caro em decorrência do aumento temporário do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

A medida, com vigência entre 20 de setembro e 31 de dezembro deste ano, amplia em até 36% a alíquota de IOF cobrada sobre operações de crédito de pessoas físicas e jurídicas para custear o novo Bolsa Família.

Para as pessoas físicas, a mudança no IOF afetará os empréstimos, o rotativo do cartão de crédito e o cheque especial. Já para as pessoas jurídicas, a mudança terá impacto principalmente no que se refere ao capital de giro e à antecipação de recebíveis.

Para as pessoas físicas, a alíquota passa de 3% ao ano (diária de 0,0082%) para 4,08% ao ano (diária de 0,01118%). Já para as pessoas jurídicas a alíquota anual passa de 1,5% (atual alíquota diária de 0,0041%) para 2,04% (diária de 0,00559%).

O rotativo já havia sido afetado pelas altas consecutivas da Selic e pode aumentar ainda mais com a elevação do IOF e novas altas da taxa básica de juros.

De acordo com a economista Daniela Dias, a Selic é a referência para todas as outras taxas e, por isso, sempre que ela aumenta o crédito pode ficar mais caro.

“Todos as outras taxas que se baseiam na Selic acabam ficando mais caras. Mesmo em relação à tomada de crédito já existente. O crédito rotativo costuma ser um dos grandes vilões do endividamento das pessoas. E também da inadimplência, que é quando a pessoa não vai conseguir pagar”.

O consumidor acessa o crédito rotativo quando não tem o valor total para quitar o pagamento da fatura até o vencimento. Sendo assim, ele tem a opção de parcelar ou de pagar o mínimo ou uma quantia que julgue adequada, o restante desta fatura será financiado pelo crédito rotativo.

E essa diferença entre o valor total e o que foi efetivamente pago até o vencimento se transforma em um empréstimo com juros incidindo sobre ele. O rotativo do cartão, assim como o cheque especial, é uma modalidade de crédito emergencial, muito acessada em momentos de dificuldades.

A economista indica que muitas vezes compensa mais ter um empréstimo pessoal do que estar endividado com o crédito rotativo.

“O que a gente sempre aconselha é que, entre a dívida do rotativo e qualquer outra modalidade, há a necessidade de comparar essas taxas de juros, porque de repente um crédito pessoal sai muito mais em conta do que o rotativo”, explica Daniela.


Fonte: Correio do Estado